segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tempo da Regra Áurea

"Assim, tudo o que vos quereis que os homens vos façam, fazei-o também vos a eles; esta é a lei e os profetas." (Matheus cap.7 v.12)


"Faremos hoje o bem a que aspiramos receber.


Alimentaremos para com os semelhantes os sentimentos que esperamos alimentem eles para conosco.


Pensaremos acerca do próximo somente aquilo que estimamos pense o próximo quanto a nós.


Falaremos as palavras que gostaríamos de ouvir.


Retificaremos em nós tudo o que nos desagrade nos outros.


Respeitaremos a tarefa do companheiro como aguardamos respeito para a responsabilidade que nos pesa nos ombros.


Consideraremos o tempo, o trabalho, a opinião e a família do vizinho tão preciosos quanto os nossos.


Auxiliaremos sem perguntar, lembrando como ficamos felizes ao sermos auxiliados sem que dirijam perguntas.


Ampararemos as vítimas do mal com a bondade que contamos receber em nossas quedas, sem estimular o mal e sem esquecer a fidelidade a prática do bem.


Trabalharemos e serviremos de moldes que reclamamos do esforço alheio.


Desculparemos incondicionalmente as ofensas que nos sejam endereçadas no mesmo padrão de confiança dentro do qual aguardamos as desculpas daqueles a quem porventura tenhamos ofendido.


Conservaremos o nosso dever em linha reta e nobre, tanto quanto desejamos retidão e limpeza nas obrigações daqueles que nos cercam.


Usaremos paciência e sinceridade para com os nossos irmãos, na medida com que esperamos de todos eles paciência e sinceridade, junto de nós.


Faremos, enfim, aos outros o que desejamos que os outros nos façam.


Para que o amor não enlouqueça em paixão e para que a justiça não se desmande em despotismo, agiremos persuadidos de que o tempo da regra áurea, em todas as situações, agora ou no futuro, será sempre hoje."




Emmanuel / Chico Xavier
Do Livro: Opinião Espírita.






Mãe

Mãezinha,


Enquanto o mundo te adorna a presença com legendas sublimes, abrilhantando-te o nome, quis trazer-te a homenagem de meu reconhecimento e de meu carinho, segundo as dimensões de tua bondade, e te rememorei os sacrifícios...

Revi, Mãezinha, as tuas noites longas, junto de mim, quando a febre me atormentava no berço. Anjo transformado em mulher, erguias as mãos para o Céu e o que falavas com Deus me caia no rosto em forma de lágrimas!... Tornei a encontrar-te os braços acolhedores, festejando-me o retorno à saúde, com a doçura de teus beijos.

E, vida em fora, o pensamento recuou para lembrar-te...

Com a retina da memória, contemplei-te os lábios pacientes, ensinando-me a pronunciar as preces da infância: e nesses lábios inesquecíveis, fitei os sorrisos de júbilo, quando me deste os primeiros livros da escola.

Depois, acompanhei-te, passo a passo, o calvário de renúncia em que me levantaste para a vida.

Quantas vezes me abraçaste, trocando bênçãos por aflições, não conseguiria contar... Quantas vezes te ocultaste no sofrimento para que a alegria não me fugisse, realmente, não sei...

Passou o tempo e, hoje, de alma enternecida, anseio debalde surpreender as palavras com que algo te venha a dizer de meu agradecimento; entretanto, eu que desejaria medir o meu preito de afeto pelo tamanho de teu devotamento, posso apenas calcular a extensão de meu débito para contigo, a repetir que te amo e que em ti possuo o meu tesouro do Céu.

Perdoa, Mãezinha, se nada tenho para dedicar-te, senão as pérolas do meu pranto de gratidão, iluminadas pelas orações que endereço a Deus por tua felicidade. E, se te posso entregar algo mais, deixa que te oferte o meu próprio coração, neste livro de ternura, por dádiva singela de minha confiança e carinho, num ramalhete de amor. ”


Meimei / Chico Xavier





Ante o Natal

“Meu amigo. Não te esqueças.
Pelo Natal do Senhor,
Abre as portas da bondade
Ao chamamento do Amor.


Reparte os bens que puderes
Às luzes da devoção.
Veste os nus. Consola os tristes,
Na festa do coração.


Mas, não te esqueças de ti,
No banquete de Jesus:
Segue-lhe o exemplo divino
De paz, de verdade e luz.


Toma um novo compromisso
Na alegria do Natal,
Pois o esforço de si mesmo
É a senda de cada qual.


Sofres? Espera e confia.
Não te furtes de lembrar
Que somente a dor do mundo
Nos pode regenerar.


Foste traído? Perdoa.
Esquece o mal pelo bem.
Deus é a Suprema Justiça.
Não deves julgar ninguém.


Esperas bens neste mundo?
Acalma o teu coração.
Às vezes, ao fim da estrada,
Há fel e desilusão.


Não tiveste recompensas?
Guarda este ensino de cor:
Ter dons de fazer o bem
É a recompensa melhor.


Queres esmolas do Céu?
Não te fartes de saber teus,
Que o Senhor guarda o quinhão
Que venhas a merecer.


Desesperaste? Recorda,
Nas sombras dos dias teus,
Que não puseste a esperança
Nas luzes do amor de Deus.


Natal!... Lembrança divina
Sobre o terreno escarcéu...
Conchega-te aos pobrezinhos
Que são eleitos do Céu.


- Mas, ouve, irmão! Vai mais longe
Na exaltação do Senhor:
Vê se já tens a humildade,
A seiva eterna do amor."




Casimiro Cunha / Chico Xavier




 





Paz em nós

A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e sim da nossa tranqüilidade de consciência no dever cumprido e é preciso anotar que o dever cumprido é fruto da compreensão.

Compreender significa, na essência , desculpar as pessoas que nos cercam, nas oposições que nos façam e esquecer as ocorrências que nos mostrem adversas, afim de que nos mantenhamos fiéis à tarefa que se nos indica.

Não te conturbem a censura ou a crítica dos outros no desempenho das obrigações que a vida te assinala , porquanto se aceitas os próprios compromissos no bem geral , esses compromissos dizem respeito a ti mesmo e não aos que te observam , nem sempre com lógica e segurança .

Em qualquer atividade edificante, convém lembrar que idéias e palavras , ações e atitudes dos outros pertencem a eles e não a nós.

No critério da reciprocidade , é justo recordar que não nos é lícito violentar essa ou aquela pessoa com opiniões e medidas tendentes a sufocar-lhes a personalidade .

As discussões auxiliam em muitos casos de assuntos obscuros ou de companheiros desinformados , mas servir aos semelhantes , doando-lhes o melhor de nós , é o argumento decisivo para clarear os agentes de solução a qualquer problema .

Para colaborar no interesse do bem de todos,é imperioso olvidar-nos que as induções ao egoísmo nos impulsionem a titubear, ante as obrigações que a vida nos traça .

Ainda que todos os elementos exteriores se te revelem contrários à ação que desenvolves , é perfeitamente possível guardar a própria serenidade ,

Desde que saibas entender pessoas e situações , deixando-as onde se coloquem e seguindo para a frente com o trabalho que te compete.

A paz em nós – repitamos – nasce da compreensão em serviço e a compreensão em serviço é mantida pela tolerância para com os erros alheios

e até pela auto-aceitação dos nossos próprios erros , de modo a sabermos corrigi-los sem tumulto e perda de tempo .

Em suma , enquanto não soubermos perdoar , não seremos livres para submeter- nos à prática do bem , segundo as Leis de Deus ."
 
Emmanuel / Chico Xavier