terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vaidade

"Quando cheguei, sem luz, ao fim do dia
E penetrei, gemendo, a noite escura,
Encontrei, quase ao pé da sepultura,
Triste bruxa de máscara sombria.

“Que fazes, desdita e negra harpia?” _
Indaguei a tremer, de alma insegura.
E respondeu a estranha criatura:
_ “Teço angústia e pavor na cova fria...”

“E quem és?” _ Insisti. Mas, nesse instante,
A megera agarrou-me, cambaleante,
E bradou: _ “Ai dos míseros que venço”!
“Sou a vaidade humana desvairada...”

E, desferindo horrenda gargalhada,
Rolou comigo ao precipício imenso.


Anthero de Quental


Livro Cartas do Coração.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

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