quinta-feira, 22 de abril de 2010

Oferenda

Se sofres provações
Deus te resguarde a fé.
Ante as lutas alheias


Deus te sustente a paz.
Se a fadiga te alcança
Deus te resguarde a força.


Quando a sombra te envolver
Deus te ilumine a estrada.
Se caíste em caminho


Deus te ampare e levante.
Por mais pedra à frente
Segue e confia em Deus.




Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Do Livro Migalha

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sublime Amor

Se em todas as partes da Terra, além dos oceanos e em recantos longínquos, buscarmos uma significação maior para o cândido amor e a bondade, para a ternura em sua expressão superior...


Se auscultarmos os corações – nos lares opulentos, na intimidade dos grandes burgos, ostentando magnificência e beleza, ao mesmo tempo, nas mansardas miseráveis e rústicas onde singulares padecimentos subjugam vidas, retificando caracteres...


Se inquirirmos aos que jazem sobre os grabatos dos sofrimentos acerbos e nos cárceres sombrios; nos leitos de enfermidades pungentes, nos descaminhos e desvarios do mundo...


Se questionarmos àqueles que se perderam nas sendas das quimeras passageiras o tangidos por compunções profundas...


Encontraremos em todos os lugares, e com cada alma, que vive e pulsa, nas superlativas dessemelhanças existenciais nos pisos terrenos, a sublime demonstração da afeição que Jesus soube verter às vidas peregrinas no planeta – o amor de mãe!



Irthes Therezinha Lisboa de Andrade
Helaine Coutinho Sabbadni


Do Livro Cartilha Evangélica / Nathanael e Espíritos Diversos

Ao Toque da Brandura

Jesus asseverou que onde o homem depositasse os seus mais preciosos ideais, seus tesouros, ali também estaria o seu próprio coração!

Cada um, de per si, tornar-se-á legitimamente a confissão inarticulada de seus mais secretos propósitos, esparzidos no fluir da convivência existencial! Por toda parte e com toda a gente, as individualidades permanecerão distribuindo as peculiares aquisições morais e os valores do próprio espírito!

Se colocares, meu irmão, a brandura em tuas palavras, depositando-as, qual bálsamo divinal, nos corações que te ouvem, nas conjunturas felizes ou complexas da existência; de enlevo ou amargura, intentando tudo solucionar com exortações mansas e coerentes...

Se promulgares no exterior de ti mesmo, sem palavras, a tua vivência íntima sedimentada nos ensinamentos de Jesus, promovendo paz aos corações que, num instante estão em regozijo, noutro em consternação; ora permanecendo na ardência dos rancores; ora estagiando no ardor da paixão, posturas instáveis, inerentes aos espíritos em constante aprendizado no orbe terrestre...

Se depositares brandura em tuas manifestações, tocando, suavemente, os pequeninos necessitados e famintos...

Se com as tuas mãos ternas sustentares as mãos trêmulas dos anciãos cansados e carentes...

Se amorosamente abraçares as mães sofredoras e inquietas...

Se branda e docemente estimulares, os deprimidos da alma e os combalidos do corpo físico, transmitindo-lhes ânimo e alento...

Estarás distribuindo flores perfumadas a todos os corações, tesouros inestimáveis de teu generoso coração! Outrossim, abrangendo com ternura e compreensão as situações que à maioria assemelham-se difíceis e complexas, inextricáveis conjunturas dentro das quais os protagonistas padecem e fazem padecer, nos descaminhos da ignorância...

Entenderás, naturalmente, que cada espírito traz consigo uma realidade íntima própria – restrições, dificuldades e necessidades diversas, carecendo de teu olhar de brandura e compreensão, instando-te a ofereceres as tuas gemas preciosas, acalentando e promovendo o incansável bem.

Estimado irmão, transforma a tua vida num hino de mansuetude, em cada passo e em cada lance da difícil jornada; em cada gesto e em cada olhar; em cada toque de caridade! Desta forma, estarás, efetivamente, reafirmando o teu propósito de discípulo de Jesus Cristo e distribuindo ao longo de tua caminhada, riquezas inestimáveis aos corações, tesouros que plenificam o teu espírito!


Irthes Therezinha Lisboa de Andrade
Helaine Coutinho Sabbadini


Do Livro Cartilha Evangélica / Nathanael & Espíritos Diversos

O LIVRO ESPÍRITA

Se a literatura acadêmica ou profana enriquece o intelecto conduzindo o homem às conquistas materiais, inimagináveis, que o tirocínio faculta – o Livro Espírita abre os horizontes da sensibilidade e da percepção espiritual, apontando novos rumos!



Se a literatura Histórica Antiga, Medieval ou Contemporânea, delineia com beleza o primitivo e o moderno desnudando as edificações sócio-políticas e culturais no âmbito terreno, contidos nos arquivos dos séculos e dos milênios – o Livro Espírita historia a alma, com clareza e sublimidade, traçando a trajetória do espírito imortal, criado simples e ignorante, todavia, perfectível, que prossegue rumando para os estágios superiores da consciência!


Se compêndios formulados por ilustres e devotados pesquisadores sobre o planeta, testificam aos homens observações sérias acerca de múltiplas teses em Ciências Exatas e Biológicas; em incontáveis compêndios sociológicos e antropológicos; em laudas definindo técnicas diversas, programas e sistemas – o Livro Espírita, meus irmãos, reúne todas as ciências e as demonstra como de origem divina, de ordem superior, igualmente, testemunha à humanidade que o Espiritismo, como Cristianismo Redivivo, é o mais avançado tratado de saber já entregue aos homens do planeta Terra!


Com o Livro Espírita, código sublime de moral superior, o homem, consciente de que é espírito imortal, apreenderá para o seu progresso e júbilo:


A verdadeira e maior de todas as ciências – o Amor;
A Ética da Fraternidade;
A História da Evolução Espiritual;
A Biologia do Ser Imortal;
A Física de alta energia que Solidariza todos os seres, dominando o mundo e todo o Universo;
A Dinâmica e o equilíbrio contidos nas Leis Divinas;
A Medicina da Caridade;
A Pedagogia da Compreensão;
O Direito do Respeito e do Dever.


A Literatura Doutrinária Espírita, possuindo como corolário a Codificação Kardequiana, representante do pensamento do próprio Cristo na Terra, como o Evangelho Redivivo – proveniente das esferas superiores da vida, dos espíritos responsáveis pelo progresso do planeta, é, sobretudo, um curso avançado de Caridade Fraternal congraçando todos os seres e apontando novos rumos para a felicidade verdadeira!


Irthes Therezinha Lisboa de Andrade*
Do Livro Cartilha Evangélica / Nathanael, Espíritos Diversos / Helaine Coutinho Sabbadini

Irthes Therezinha (1925 / 1977) foi médium e abnegada companheira na Seara Espírita. Nasceu e viveu na cidade de Ubá, Minas Gerais. Revelou-se grande divulgadora da Doutrina Espírita e com extrema sensibilidade discorria, em belas e comovedoras preleções, abordando sempre o tema de sua predileção: O Evangelho de Jesus.

sábado, 10 de abril de 2010

MEDIUNIDADE E SEGURANÇA

Há quem acredite que o tempo na tarefa mediúnica e a constante atividade psíquica, aliados à bagagem intelectual rica de conhecimentos, garantam ao servidor espírita nos campos do intercâmbio mediúnico o devido respaldo, forrando-o das influenciações desequilibrantes.


Encontramos em O Livro dos Médiuns, capítulo XX, item 11º – “Da Influência Moral do Médium”, a seguinte elucidação – “Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho é o que necessitamos para que a palavra dos espíritos superiores nos chegue isenta de qualquer alteração”.


Quanto menos possibilidades o medianeiro facultar aos espíritos embusteiros, que constantemente intentam contaminar o ânimo dos lidadores no intercâmbio mediúnico afastando-os da senda do dever, um tanto melhor!


Afirmam os benévolos espíritos que os instantes em que se dão as abordagens das mentes delinquentes do invisível ou dos pseudo-sábios sobre o psiquismo do médium, são valiosos!... Entretanto, se estornados em prol do devido aprendizado!


Sem dúvida, poderão tornar-se meios para o crescimento espiritual do servidor da mediunidade, a fim de que ele busque o fortalecimento de suas convicções no bem, vivenciando-as, inteiramente a sós.


Inúmeros tarefeiros, no entanto, têm sucumbido ao erro, por exonerarem-se dos preciosos antídotos recomendados pelas hostes superiores – “o bem, a caridade e a humildade”, conforme claramente referendado no Livro dos Médiuns, cap. XX, item 227.


Quantos cooperadores da seara medianímica com Jesus, luarizados pelo conhecimento Espírita, presunçosamente fiam-se em suas próprias habilidades, afirmando, tão resolutos, quão seguros, que foram responsáveis por intermediar inumeráveis títulos mediúnicos, oferecidos com êxito à apreciação pública?! Asseguram-se da legitimidade daquilo que lograram filtrar das mentes desencarnadas!


Outros declaram determinados: “o tempo conferiu-me segurança, são décadas decorridas à frente do trabalho de intercâmbio psíquico, tenho vivenciado um sem número de experimentações junto aos mais diversos espíritos. Não há como duvidar, não há como se equivocar!”


Esquecem-se, entretanto, os irmãos incautos, objurgando dessa forma, que imediatamente incluem-se na referida classe dos Médiuns Presunçosos, tão bem descrita pelo preclaro Codificador, Allan Kardec.


Caros irmãos, na lides entre os dois planos da vida, a segurança mediúnica é construída dia a dia; experiência a experiência, esforço a esforço – num tentame que advém com o espírito do plano espiritual, antes mesmo de tomar o corpo denso, desdobrando-se por toda a experiência física e estendendo-se, além dela.


Patenteia-se a mediunidade, em suas inumeráveis nuanças, como valioso ensejo retificador que se desenvolve acorde às instabilidades, dificuldades, imperfeições e fragilidades morais da individualidade espiritual encarnada, por mais recônditas nos escaninhos da alma.


Tal individualidade, tal mediunidade!


Permanecemos, todos, em constante crescimento e aprendizado, consequentemente, a percepção psíquica dilata-se e estrutura-se, em novas bases, a cada dia!


Caminhar com o Mestre Jesus, na vivência pura de Seus preceitos é o que garantirá ao medianeiro espírita a segurança necessária para seguir laborando e forrando-se, um tanto mais, contra os embustes e escolhos na relação com as inteligências do mundo invisível.




Yvonne do Amaral Pereira*
Do Livro Cartilha Evangélica / Nathanael e Espíritos Diversos / Psicografia de Helaine Coutinho Sabbadini



*Yvonne Pereira nasceu a 24 de dezembro de 1900 no sul fluminense, tendo desencarnado no Rio de Janeiro a 09 de março de 1984, aos 83 anos. Possuidora de mediunidade estuante desde a infância. Espírito disciplinar e completamente devotado às lides mediúnicas e a vivencia cristã. Quando encarnada psicografou várias obras, dentre elas “Memórias de um Suicida” e “Ressurreição e Vida”.

domingo, 4 de abril de 2010

Educação em Cristo

Meus irmãos, educar sob as balizas do Evangelho do Cristo, eis a divisa para o tempo novo!

Com os ensinos mosaicos a Humanidade terrena recebeu os primeiros preceitos da fé disciplinada, os primeiros clarões dos fundamentos imortalistas. Com Jesus Cristo inaugurou-se a Era de Luz para as massas humanas; Era do Amor Incondicional. Este momento singular ainda guarda, em suas entranhas crísticas, o maior código de conduta moral superior para todos os povos, com vistas à iluminação espiritual, à fé lúcida assentadas sobre as rígidas disciplinas da primeira hora.

Com a Doutrina Espírita recebemos, enquanto educandos, substratos para nos alçarmos aos pródromos da coexistência sublime, para nos elevarmos a patamares mais avançados do sentimento. O Espiritismo esparziu luz perene sobre as almas dispostas a se matricularem nas linhas da renovação indispensável para a Eternidade. Caros companheiros, viceja a divisa, a flama alvinitente do Evangelho Redivivo conclamando-nos a todos à matrícula impostergável às frentes da liça sedimentada nos princípios educativos de ordem espiritual.

Rompe uma nova aurora, rasga-se no horizonte uma novel claridade, precipitam-se clarins à sensibilidade dos de boa vontade anunciando que é chegada a hora da inscrição nas sublimes instituições educativas para o espírito.

Tange-nos a Verdade de que os padrões de ordem moral-educativa não se aplicam a idades determinadas, mas às idades espirituais. Empenha-se tal educação a saciar a avidez do discípulo que anseia pela água viva, que, depois de sorvida, saciar-lhe-á para sempre.

Educar nas bases morais sublimes do Evangelho do Cristo, eis o que compete ao discípulo da Nova Era. Aguçar a sensibilidade para ouvir as clarinadas que anunciam esta nova aurora de paz, de fraternidade e de amor puro para todos os povos.

Nada obstante, faz-se indispensável, para almejar-se a verdadeira paz e felicidade, a instrução nas disciplinas espirituais, bem como um mais claro entendimento de seus aplicativos morais através dos deveres e compromissos que competem a todos e a cada um.

Eis que surge, para todos, a hora da grande revolução, eis o momento em que o grande portal de acesso aos cumes sublimes abrir-se-á e não poderemos nos apresentar como as virgens loucas*. Sejamos, caríssimos irmãos, como as virgens prudentes que jamais se descuram de seus compromissos de ordem espiritual, nunca se distraem na espera, mas trabalhando, porfiando e aguardando no bem jamais deixam suas lâmpadas sem o azeite da fé, da vigilância e do esforço.

Abre-se no firmamento a divisa inscrita em luz para quem sabe ler, prenunciando as grandes mudanças! Transformações estas que já abalam as estruturas físicas e psíquicas do planeta, e, ao precipitarem-se incoercíveis, comocionam de forma intestina a ancestral e viciante moralidade vigente.

A luz penetra impoluta, imponente e soberana nos covis dos lobos, nos seculares antros escuros do mal, nos cartéis dos crimes e nos círculos sombrios da ignorância...

A luz revolve as estruturas físicas, morais e espirituais de tudo quanto existe sobre o planeta, assim como orbitando em suas esferas impalpáveis.

Que a divisa alvinitente da bandeira de Ismael: “Deus, Cristo e Caridade” balize os processos educativos da Humanidade inteira e do planeta, na iminência da redenção espiritual, com vistas a um futuro glorioso; a um porvir antevisto em sua plenitude através de convivências amorosas e caritativas instauradas no universo íntimo de cada ser.

Educar nas bases morais sublimes do Evangelho Redivivo eis o clamor dos céus para o tempo que se abre a frente de todos! Vejam aqueles que têm olhos de ver!

Fraternais saudações e o meu caloroso enlaço, honrado pela responsabilidade que me guinda à direção desta casa de Jesus Cristo.


Leopoldo Machado
Helaine Coutinho Sabbadini
Porciúncula, em 28 de março de 2010
Mensagem Psicografada em Reunião Pública
no Grupo Espírita Cristão Leopoldo Machado




* Parábola das Dez Virgens - Mateus 25 de 1 a 13

A Era da Consciência Crística

“Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras, pois forçoso é que isto aconteça, mas ainda não será o fim.... E o Evangelho do Reino será pregado ao Mundo inteiro, como testemunho a todas as nações e aí virá o fim.” Jesus, Mt. – cap. 24


Irmãos na Seara do Cristo, guardemo-nos nas messes de amor do Divino Cordeiro!
Ao apreciarmos o texto anotado pelo Evangelista Mateus, sobre as palavras proféticas de Jesus, poderíamos verificar, ou julgar, num primeiro lance de vista, grande inconsistência, o que é inaceitável, dada a Suprema Sabedoria do Mestre.
Mister se faz a imersão consciencial no Evangelho do Mestre, para compreender o sentido – não literal – mas profundamente espiritual da assertiva do Excelso Guia da Humanidade Planetária.
Vejamos estão: naquele momento em que Mateus anotou a referida predição, Jesus saía do templo com seus discípulos e ao ser conclamado, pelos mesmos, a observar as belezas do portentoso edifício de Jerusalém, assevera: “Em verdade vos digo que deste templo não restará pedra sobre pedra...” A ensinar a brevidade das construções puramente no âmbito da Crosta Material. O ensinamento seguinte seria um marco nas advertências do Cristo, com vistas a este tema.
Portanto, adiante, neste mesmo trecho registrado pelo evangelista, Jesus, já no Monte das Oliveiras, assevera que haveriam de ouvir falar de guerras, que as nações se voltariam umas contras as outras e a iniquidade grassaria a ponto de o amor de muitos esfriar. Continuava o Messias a profetizar que haveria terremotos, dores e dissídios entre os homens, mas seria apenas o início das dores... E que aqueles que desfraldassem a Bandeira do Evangelho seriam escarnecidos e ainda, assim, seria o inicio das dores.... Recordando, caros irmãos, que todos os ensinamentos do Mestre, por excelência, são atemporais, ajustando-se a determinados períodos crucias da Humanidade.
No entanto, afiançou Jesus, que aqueles que perseverassem até ao fim seriam salvos.
Numa verdadeira Carta Magna endereçada, igualmente, ao futuro da Humanidade proclama: “somente quando o Evangelho for pregado em todo Mundo, como testemunho, somente assim virá o fim.” Contudo, meus amados irmãos, não se referia o Mestre ao fim do Mundo em sua estrutura física, pois a Inteligência Suprema nada destrói de forma inconsequente e finalística para edificar o Bem e a Evolução, em suas bases sublimes. Deste modo, haverá, melhor, está em plena vigência o término de um período planetário de grandes testemunhos, de grandes equívocos sociais, de quedas abismais das massas humanas, recalcitrantes e imperfeitas, em trânsito no Orbe.
Referia-se o Cristo ao fim dos padrões sociais, econômico-políticos e espirituais em seus moldes primitivos, tendo em vista a inauguração de uma Era Nova, a Era da Consciência Crística, na qual o Evangelho em suas bases de amor, fraternidade, caridade, perdão e misericórdia transmutar-se-á numa “Cartilha de Conduta” para todos os povos.
O amor incondicional aos outros; o bem pelo bem; a fraternidade pela fraternidade, sem nenhum lastro de interesse pessoal.
Então aí, virá o fim; o fim das dores; dos testemunhos e expiações compulsórios, pessoais e coletivas... Aí, então, a Humanidade fruirá em Espírito e Vida o Bem, a Fraternidade e o Amor em sua plenitude Divinal, sem que catástrofes ponham termo, de maneira absoluta, à Morada abençoada.
Distante ainda está o tempo do esgotamento planetário, em seus recursos geológicos e espirituais, em conjunção com O Sistema Cósmico. Nada obstante, as transformações não prescindem das revoluções, nos amplos níveis da existência.
Os períodos evolutivos na Esfera Terrena ainda não foram cumpridos – porque a Inteligência Suprema transforma, reforma, sem extinguir os baldrames primordiais da evolução já encetada, está na Lei de Amor. Aliás, consultai as instruções dos espíritos referentes à Lei de Destruição, quando afirmam: “o que chamais destruição não passa de transformação.”
[1]

Guardemo-nos, pois, em Cristo Jesus, irmãos e filhos amados, perseverando até ao fim, jamais permitindo o esfriamento da fé, porque o próprio Mestre Jesus garantiu que os puros, os mansos, os misericordiosos herdarão a Terra!
Bênçãos infinitas, paz duradoura, sedimentada no labor fecundo com o Cristo Jesus, é o que vos desejo.


Nathanael
Helaine Coutinho Sabbadini
Mensagem Psicografada em Reunião Pública no Grupo Espírita Cristão Leopoldo Machado
Porciúncula, RJ, 29 de fevereiro de 2010.[1] Questão 728 do Livro dos Espíritos / Cap. V Lei de Destruição (Nota da médium)

No Templo de Shiva





Transponho a Índia Milenar a passos lentos e atentos, qual um estudante faminto do saber, como quem atravessa os obscuros caminhos de sua própria alma.
Nas ruelas estreitas, em meio ao vai e vem ensurdecedor do trânsito, sinto-me no Nirvana[1] aspirando o perfume inebriante dos incensos e o aroma forte da masala[2], podendo mesmo afirmar que é este o natural perfume da contemporânea Bhārat Gaṇarājya[3], de sua gente simples, de suas residências informais e dos templos em cada esquina.
Caminho recapitulando os cânticos do Mestre Rabindranath Tagore; a doçura de Shree Ramana Maharshi e a genialidade de Mohandas Karanchand Gandhi, sentindo com os seus corações místicos e patrióticos um amor sem fim por este chão dos antigos maharishis[4], exilados de um orbe distante e que povoam há muito esta civilização peculiar. No entanto agora, quem sabe, zelando à distância por seus herdeiros; uma massa compacta de vida em tremendos experimentos provacionais; disputando o mesmo espaço; o mesmo pão; algumas pobres rupias[5] para a manutenção da família.
Avanço no meu caminho para o sagrado Templo de Shiva, imersa na atmosfera da nação dos deuses milenares, fitando as gralhas a voejarem pelo espaço como nuvens negras, numa algazarra sem fim, para acomodarem-se de quando em quando nas imensas árvores… No imo da alma carrego o pleno reconhecimento de que permanecemos todos ainda exilados em nós mesmos, no universo de nossas íntimas reparações.
Os condutores de rickshaw[6] meneam a cabeça como a oferecer-me os seus préstimos numa corrida, mas andar nos caminhos de meu próprio espírito é indispensável; olhar o pó do solo, aspirar o aroma natural, misturar-me com a multidão.
Deleito-me em cada esquina, à frente de cada casa ou pequeno bazar com as faces sorridentes das damas enroladas em seus coloridos sharees[7] a saudarem-me com as palmas unidas ao peito dizendo; namaskar[8]…
Com olhares interessados e curiosos os transeuntes fitam-me a cismarem; “de que parte vem esta senhora? Não possui nossa alegria ou vivacidade, pobre alma… será que existe algum universo além de nossas vilas, assim tão melancólico?” E ao fazer esta leitura mental com a minha imaginação de romancista sorrio por dentro, prazerosamente.
Adentro os portais do Templo do Senhor Pashupati[9] com profunda reverência, sentindo na alma um frêmito de emoções antagônicas; prostração e espanto. A Índia das mil faces é o sagrado santuário do Senhor Shiva, o Mahadeva, Senhor da Transformação; Shankara o todo complacência e amor; Shambhu a alegria pura – mil faces para os mil protegidos.
Sinto-me inebriada, como qualquer um dos indianos descalços rompendo os limites da sagrada morada do ‘Portador do Trishula’[10], convicta de que com o mesmo Trishula o Senhor Shiva ampara-me, qual filha bastarda, retornando ao lar; clarificando-me dentro de minha própria ignorância. Ajuízo, em minha caminhada, na sábia metáfora guardada nas três pontas do Trishula de Shiva:tamas, rajas e sattva; inércia, movimento e equilíbrio, cientificamente explicados por Isaac Newton, Einstein ou Max Planck, e pasmo… pasmo abismada em mim mesma.
Subitamente estou à frente dos portais do Santuário, como que conduzida pelo próprio Senhor da Transformação e na tradição indiana devo solicitar-lhe as bênçãos e a permissão para a minha incursão em sua “Casa Milenar”. Deixo os sapatos empoeirados na soleira do templo, imitando o acatamento dos devotos que se aglomeram, e rompo os portais do mandir[11] com respeito e veneração, sorvendo o delicioso aroma dos incensos, deleitando-me com os cânticos e o som dos instrumentos. Olho discretamente para os lados a imitar as senhoras de mãos postas ao peito, ajoelhadas à frente da gigantesca estatuária do Senhor Shiva flamejando em tons de ouro e coloridos mil – ora recitam-lhe mantras, ora depositam-lhe oferendas e guirlandas de flores; para em outros momentos acenderem pequenas luzes em louvor ao divino guardião.
Minha alma é um misto de informações a serem processadas; os tantos conhecimentos adquiridos, as ortodoxias expressas ou dissimuladas nas doutrinas ocidentais, mesmo daqueles que advogam a simplicidade e a aversão profunda aos dogmas, aos paramentos, aos rituais… Ironicamente muitas vezes submersos em Maya[12] não percebem que são eles os mais cativos dos dogmas do “saber”, do “poder”, da “notoriedade”, pseudos detentores da sabedoria e da verdade… Intimamente sorrio percebendo que uma de minhas primeiras lições transubstancia-se em – AMOR E RESPEITO, pois a vida pura, espiritual, pulula em toda parte regida pelo mesmo Deus, Causa Incausada e Suprema de todas as coisas.
Avaliando, no imo do ser, que a maior de todas as mentiras que vivemos no Ocidente é a falsa noção da Verdade e do conhecimento de nós mesmos, prostro-me aos pés de Shree Shiva, do Senhor da Clarificação, banhada em lágrimas profundas de emoção, na ânsia de descobrir-me em Verdade e Vida, de modo a identificar-me em minha íntima essência Crística, para que o decesso do corpo denso não me obrigue a fazê-lo um dia.

Helaine Coutinho Sabbadini
Cuttack / Orissa / Índia
Janeiro, 2009


Nota 1:
Este pequeno relato pode ser chamado de crônica, doce recordação, parte de um diário… Não importa… Para minha alma são dulcíssimas lembranças, em forma de extraordinário aprendizado, eventos vivenciados por mim nos primeiros meses do ano de 2009, por conta de minha estadia em algumas cidades do estado de Orissa, Índia, numa profícua e profusa convivência com cerca de 50 famílias Hindus, das mais diferentes classes sociais.
Helaine C. Sabbadini

Nota 2:
A ÍNDIA
A ORGANIZAÇÃO HINDU

Dos espíritos degredados no ambiente da Terra, os que se agruparam nas Margens do Ganges foram os primeiros a formar os pródromos de uma sociedade organizada, cujos núcleos representariam a grande percentagem de ascendentes das coletividades do porvir.
As organizações hindus são de origem anterior a própria civilização egípcia e antecederam em muito os agrupamentos israelitas, de onde sairiam mais tarde personalidades anotáveis quais as de Abraão e Moisés.
As almas exiladas naquela parte do Oriente muito haviam recebido da Misericórdia do Cristo, de cuja palavra de amor e de cuja figura luminosa guardavam as mais comovedoras recordações, traduzidas nas belezas dos Vedas e dos Upanishads. Foram eles as primeiras vozes d a Filosofia e da Religião no mundo terrestre, como provindo de uma raça de profetas, de mestres e iniciados, em cujas tradições iriam beber a Verdade os homens e os povos, salientando-se também que suas escolas de pensamento guardavam os mistérios iniciáticos com as mais sagradas tradições e respeito…
O pensamento moderno é o descendente legítimo daquela grande raça de pensadores, que se organizou nas margens do Ganges, desde a aurora dos tempos terrestres, tanto que todas as línguas das raças brancas guardam as mais estreitas afinidades com o sânscrito, originário de sua formação e que constituías uma reminiscência de existência pregressa  em outros planos.
… Os cânticos dos Vedas são bem uma glorificação da Fé e da esperança, em face da Majestade Suprema do Senhor do Universo. A faculdade de tolerar e esperar aflorou no sentimento coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas  as dores e aguardaram o momento sublime da redenção. Os Mahatmas criaram um ambiente de tamanha grandeza espiritual para o seu povo, que, ainda hoje, nenhum estrangeiro visita a Terra sagrada da Índia sem de lá trazer as mais profundas impressões acerca de sua atmosfera psíquica. Eles deixaram também ao mundo as suas mensagens de amor, de esperança e de estoicismo resignado, salientando-se que quase todos os grandes vultos do passado humano, progenitores do pensamento contemporâneo, deles aprenderam as lições mais sublimes.

Emmanuel
A Caminho da Luz
Capítulo V / A Índia – A Organização Hindu


[1] Nirvana – Paraíso, libertação dos Sentidos Primitivos.
[2] Masala – Condimentos
[3] Bhārat Gaṇarājya – República da Índia
[4] Maharishi – sábios, místicos, também um dos sete grandes videntes mitológicos dos textos védicos.
[5] Rupia – Moeda da República da Índia
[6] rickshaw – Tipo de transporte, charrete, puxado por bicicleta.
[7] Sharee – tradicional vestuário feminino na Índia
[8] Namaskar – também Namaste ou Namstute, saudação comum que significa: “O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você.” Saudação feita ao chegar, ao sair, bem como substitui bom dia, boa tarde etc.
[9] Pashupati – Senhor dos Animais
[10] Trishula – tridente de Shiva
[11] Mandir – Templo
[12] Maya – Deusa que representa a ilusão em todas as suas expressões, mormente da matéria e da vida temporal.