quinta-feira, 28 de junho de 2018

Regojizai-vos sempre!!


Flores do Cédron - as mulheres no Evangelho. Lançamento 27 de junho de 2018


Uma viagem pelo universo das mulheres que conviveram e aprenderam com o Cristo e nos deixaram grandes exemplos. Traz para os tempos atuais um vasto material de pesquisa religiosa, sociológica e histórica, dando ao leitor um amplo leque de informações que contextualizam a condição feminina para que entendamos porque Jesus se valeu das mulheres para transmitir ensinamentos tão importantes.
 Profundo conhecedor da alma humana, o Cristo sabia que elas seriam depositárias de profundas lições que iriam além da letra e que apesar da opressora condição social vigente, essas mulheres foram capazes de atos de heroísmo e altruísmo.
 Revendo o Evangelho com ousadia, derrubando muros, alargando visões e resgatando personagens significativas nas construções do cristianismo, nos transportamos ao cenário da época para que juntos possamos conhecer com profundidade personagens marcantes da história cristã.
 A obra passa por Maria/Miriam, uma vivaz e espiritualizada menina de 15 anos escolhida para ser a mãe de Jesus.  Em seguida, nos leva à noiva de Jerusalém – mais conhecida como mulher adúltera – e o momento em que foi compreendida pelo Mestre sem que nenhuma pedra fosse atirada.
  Há também a viúva da mesma Jerusalém, mulher que enfrentava condição social bem hostil por ter perdido o marido, mas que, nem por isso, deixa de dispor de poucas moedas para ajudar os mais necessitados. Depois é a vez de Joana, esposa de Cuza, uma mulher que desenvolveu seu apostolado no lar, ao lado de um companheiro pouco propenso a entendê-la.
 E segue com outras personagens de grande significado como Marta e Maria, irmãs de Lázaro, a mulher Cananeia, a Mulher Samaritana, Maria Salomé e Maria de Magdala – talvez a mais conhecida de todas as mulheres do Evangelho, depois da genitora do Mestre – a obra diz muito mais do que os escritos convencionais costumam mostrar.
 Com Flores do Cédron, situamos todas essas personagens – e todas as anônimas de então – no contexto social, político e religioso daquele tempo. E situamos a todos nós no tempo e no espaço.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Elizabetta de la Paz - lançamento pela Editora Lachâtre


Aclimatado em pleno Século de Ouro Espanhol o romance retrata a belíssima história do reencontro de dois espíritos vinculados pelos laços da afeição milenar, embora, naquele período, membros de nações concorrentes; França e Espanha. Os líderes, em concordatas políticas, dispunham das vidas e sentimentos de sua prole adolescente em matrimônios estrategicamente arranjados; lágrimas, mortandades, dores inomináveis e suicídios marcaram muitas existências. O Século de Ouro é conhecido como um dos mais magníficos períodos da história da humanidade, malgrado as deploráveis atuações inquisitoriais fomentadas pelo conturbado Prior Tomás de Torquemada. A narrativa convida o leitor à França de Catarina de Médici, denudando a breve existência de sua filha, Isabelle de Valois, e de seu atormentado irmão Carlos IX, comprometido com a tenebrosa Noite de São Bartolomeu. Ressurgirão, como florações de nova primavera, ações de almas genuinamente cristãs, como as da monja Teresa D’Ávila.

terça-feira, 10 de novembro de 2015


"Popularidade? É da glória um troco pequeno." 
Victor Marie Hugo

GLÓRIA (lat. glorĭa,ae 'id.) SINÔNIMOS: notoriedade adquirida por feitos heróicos ou grandes méritos, obras ou por suas extraordinárias qualidades. Pessoa ou obra famosa; motivo de orgulho, de exaltação. Grandeza, honra, grande beleza; esplendor, fausto, magnificência ou beatitude celeste.

POPULARIDADE (lat. popularĭtas,ātis 'afeição ao povo, inclinação a favorecê-lo') SINONIMOS: Caráter de uma pessoa que tem as simpatias do povo; estima ou preferência pública.


E nesse jogo perigoso, incontáveis buscam, antes, o “troco pequeno”, a tão ambicionada popularidade, em lugar daquilo que naturalmente daria consequência a ela... Mas, como nada na vida se constrói às avessas, nenhum edifício eleva-se às alturas sem alicerces bem sólidos, a popularidade vem pobre, sozinha, desamparada, ignorante, sem glória, sem extraordinárias qualidades, sem nada.... A pressa é grande... A pressa tem sido grande... Não raras vezes associa-se (por ser tão desamparada) à hipocrisia que “é a homenagem que o vício presta à virtude” na máxuma de Fraçois La Rochefoucald.

A palavra hipocrisia (de raiz grega) designava, originalmente, ator de teatro. Quando Jesus chamava os fariseus de hipócritas era o mesmo que hoje chamarmos alguém de “fingidor” de “artista”.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
Mt. 23:27
“As opiniões do vulgo são muito inconsistentes, disso tenho experiência própria. Estejamos atentos aos nossos deveres, porque a ignorância sempre está pronta a transitar da maldição ao elogio e vice-versa. É bem possível que daqui a algumas horas me considerem um deus. Com efeito, quando viram que ele não acusara nem mesmo a mais leve impressão de dor, os indígenas passaram a observá-lo com entidade sobrenatural. Já que se mantivera indene ao veneno da víbora, não poderia ser um homem comum, antes algum enviado do Olimpo, a que todos deveriam obedecer.”
Palavras do Apóstolo Paulo a Timóteo e Lucas quanto na ilha de Malta, por conta de um naufrágio, rumo a Fenix.
Emmanuel – Chico Xavier
Livro Paulo e Estevão

Resta-nos suplicar a Jesus a completa (ou possível) consciência de que somos educandos na escola planetária e que nosso empenho maior deve ser não reincidir em antigos erros, porfiar nos deveres em silêncio, oração e lágrimas, buscando a ascensão espiritual, tendo no Evangelho a diretriz segura da qual necessitamos. Certamente será muito constrangedor ouvirmos, quando de retomo à Casa Verdadeira: “Já recebestes o vosso galardão”: o “troco pequeno”.

E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 
Mateus, 6:5

Helaine C. Sabbadini
Muriaé, 09/11
/15



sábado, 20 de junho de 2015

Obediência & Resignação, Ética & Moral

Obediência e Resignação, Ética e Moral

Interessante, e instigante, avaliar conceitos, normas, leis, proposições sociais/comportamentais etc (dentro ou não de suas épocas históricas) sob a luz da compreensão Espírita. Que gigantesco leque se abre fazendo-nos abranger delicados valores e sentidos jazendo sub-reptícios sob a aluvião dos acontecimentos, de ordem social, pessoal, moral.

Principiamos por refletir: o que é obediência? O que é resignação? O que é ética? O que é moral no comportamento humano? Percebemos que, para além, da obediência julgada primitivamente subserviência; da resignação julgada covardia; da ética julgada insipiente e da moral julgada como retrocesso por muitos, remanesce um oceano de cogitações filosóficas e espirituais de valiosíssimo teor.


Não existe um espírito sequer isento de obediência, de ética, de moral ― como espelho da mesma ética (realidade espiritual de cada um). Já a resignação é atributo das grandes almas... Se considerarmos o terreno da obediência somente como sujeição as leis; da ética como preceito com aplicação nas profissões, na administração pública, na política etc. e moral como comportamento atinente a cada cidadão em face das leis e normas sociais de seu tempo estaremos enclausurando a OBEDIÊNCIA, a ÉTICA  e MORAL em cárcere restrito. Tais procederes são deveres inquestionáveis, são obrigações basilares para uma vida digna em sociedade.

Busquemos, além disso, a afirmação do espírito Lázaro inserida no ESE: “A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração”[1] ― bem, entendemos que a obediência está também circunscrita a um nível de compreensão, de entendimento que abrange os refolhos do espírito; quanto maiores, maior é a obediência. A resignação só é possível pelas vias do amor, dos superiores valores espirituais albergados através das multisseculares experiências reencarnatórias, haja vista que, nem sempre, conhecer é realizar com proveito.

E em que ponto a obediência e a resignação ligam-se à ética e a moral? Estaríamos, por ventura, falando da ética como ramo da filosofia consagrado aos  princípios que motivam, disciplinam ou orientam o comportamento humano, ajuizando normas, valores, imposições e exortações presentes em qualquer realidade social? Não, definitivamente não! Como Espíritas temos que avançar desassombradamente nesse terreno. A palavra ética, que é derivada do grego ethikos significa aquilo que pertence ao ethos (ao “Eu” -  aquilo que sou; refletido fora de mim), ou seja, refere-se aos costumes superiores ou àquilo que pertence ao caráter e isso, claro, não estará jamais desatrelado dos valores espirituais. Portanto, nos interessa avaliar ética como sendo o conjunto de valores adquiridos pelo espírito que repercutem em forma de vida/comportamento moral. Por conseguinte poderíamos colocar assim: ética (o que sou) refletindo comportamento e padrões morais (ações) aliados inquestionáveis do conhecimento (razão, julgamento) e das virtudes (estruturação de elevados sentimentos no espírito). Um não viverá sem os outros, pois a evolução necessita desse conjunto.

A ética ― oriunda de normas e preceitos filosófico sociais pode ser mera imposição...
A moral ― como costume e sujeição a determinados princípios pode ser mero verniz social de pouca duração...
A obediência ― como constrangimento às leis civis pode ser mero recolhimento e temor...
Mas a resignação é um dos diamantes que compõem a ética espiritual, a expressar joia belíssima e de alto valor, à qual são incrustadas outras gemas quais as da indulgência, do amor puro, da renúncia, do perdão, da humildade, da bondade, dentre outras.

O Cristão da Nova Era possui o dever do esforço por transcender os níveis da moral e da ética terrenas, não sendo um “bom cidadão”, pleno de humanidade, fraternidade e respeito ao próximo (em todos os níveis evolutivos) apenas por dever (embora tudo comece pelo dever), mas pela espontaneidade, de posse do libertador atributo de ser e agir pela livre escolha, no anseio genuíno de ser melhor e não viver na experiência terrena como um autômato.

Swamijee Paramahansa Yogananda no seu livro Autobiografia de um Yogui afirma algo digno de nota, que colocarei com minhas palavras: “O que fazemos, doamos, concedemos, espontaneamente (bens físicos ou emocionais), possui outro sabor e valor do que aquilo que fazemos, doamos, concedemos quando não há mais outra saída e o irremediável é tudo que nos resta.”

Repetimos com o paizinho Francisco de Assis imitador genuíno do Cristo: “A paz seja entre nós”

Helaine Coutinho Sabbadini
Pirapanema, em 20 de junho de 2015






[1] Kardec Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX – item 8 – Obediência e Resignação, Espírito Lázaro, recebida em Paris no ano de 1863.