Pensando Alto...



Ante os conflitos dramáticos na política brasileira voltamos a nossa memória para os primeiros momentos do Brasil como Nação... 

Quantos Irmãos de Ideal Espírita escarnecem abertamente da magnífica obra de Humberto de Campos: “Brasil Coração do Mundo e Pátria do Evangelho?!" Já colhemos insanidades de lábios e mentes abalizados em nossas fileiras quanto às verdades propaladas na citada obra do Irmão Humberto através da mediunidade ímpar de Francisco Cândido Xavier. 


No nosso modesto modo de enxergar há maior fixação na temporalidade do que na Eternidade; no humano do que no Divino; no que é construção das almas imaturas e ambiciosas e o que é laboração de paciência e amor orquestrada pelos Espíritos Superiores para a Eternidade.

Somente para ilustrar resgatamos determinada Ação das Leis Superiores sobre as sociedades brasileiras citada pelo Espírito Camilo Castelo Branco através da mediunidade de Dona Yvonne do Amaral Pereira. Informou-nos o ex-escritor português que as massas dos soldados romanos dos últimos séculos da Era pré-cristã e dos primeiros séculos da Era Comum, que, quando não avançavam em conquistas sanguissedentas dizimando vidas e propriedades, ávidos pelo domínio, levavam incontável quantidade de cristãos aos martírios inomináveis. Afirma Camilo Castelo Branco que todos suplicaram renascer nos dolorosos berços da escravidão afro-brasileira aproximados dois mil e quinhentos anos de domínio e barbáries, considerando o período de República e o Império... Estamos, indistintamente, atrelados às situações morais/espirituais/sociais que dizem respeito aos nossos compromissos ante as Leis Eternas. Nem descaso e inação ante esta realidade, tampouco ardor cego e apaixonado característico da politicagem mundana.

Minha mente viaja na História de minha pátria e relembro que a Bandeira do Brasil foi adotada em 19 de novembro de 1889 por um Decreto Lei, decreto este elaborado por Benjamin Constant, membro do Governo Provisório. A concepção do novo lábaro nacional deveu-se ao acadêmico Raimundo Teixeira Mendes, Presidente do Apostolado Positivista do Brasil, junto aos Mestres, Miguel Lemos e Manuel Pereira Reis, este último catedrático da Cadeira de Astronomia da Escola Politécnica. O pintor Décio Vilares foi incumbido do esboço.

O verde e o amarelo estampados no pendão representam a Coroas de Bragança e de Habsburgo, por ocasião de uma das uniões matrimoniais de Dom Pedro I. Nada obstante, igualmente vinculados a Flora e Fauna Brasileiras – com legítimas razões. O azul ostenta o “Cosmo inclinado” segundo a latitude da metrópole do Rio de Janeiro às doze horas siderais ou oito horas e trinta minutos, do dia 15 de novembro de 1889, igualmente as constelações correspondem ao Céu da importante metrópole, exatamente, àquela mesma hora. Bastante interessante comprovar que há um fator metafísico nesta apresentação, pois o céu exposto no pendão deve ser considerado como a observação de um expectador situado fora da esfera celeste!

Cada específica estrela representa um estado federativo e todas elas possuem cinco pontas, ressalve-se que elas não guardem as mesmas proporções, aliás, apresentam-se em cinco tamanhos diferentes, definindo sóis de cinco grandezas. Quanto maior a estrela estampada no lábaro, maior a sua magnitude. A faixa branca representa a eclíptica ou o equador celeste ou o zodíaco, ao mesmo tempo, dentro do qual inseriu-se o lema que rege as Leis Cósmicas: "Ordem e Progresso". A divisa "Ordem e Progresso", embora atribuída ao filósofo positivista francês Augusto Comte que tinha vários seguidores no Brasil, entre eles o professor Teixeira Mendes, foi capturada das Fontes Supremas de inspiração divina. As alterações, inclusões e exclusões, destas estrelas que passaram a representar os estados brasileiros são arranjos normais característicos às atitudes meramente humanas; mais atreladas aos componentes materiais no imediatismo terreno.

As constelações que estão representadas no Lábaro Brasileiro são:

— Cão Maior; Sirius, Mirzan, Muliphen, Wezen, Adhara...

— Cão Menor: Prócion

— Navio: Canopus

— Cruzeiro do Sul: Acrux, Mimosa, Gacrux, Pálida, Intrusa.

Aduzimos que no Brasil esta constelação é a mais conhecida das oitenta e oito constelações vistas da Terra, não exclusivamente por sua simples localização no céu, como também por figurar em posição de grande proeminência na Bandeira Brasileira, bem como em emblemas e brasões oficiais da República.

O Planeta Terra, além de seus movimentos mais conhecidos de translação e rotação, realiza vários outros movimentos menos notáveis, entre eles o de precessão. Devido a esse movimento, os dois pontos no céu para os quais o eixo de rotação da Terra aponta (os pólos celeste sul e norte) não são fixos em relação às estrelas.

O Pólo Sul Celeste tem se aproximado gradativamente, através dos séculos, do Cruzeiro do Sul; fazendo com que cada vez mais essa constelação seja vista predominantemente do hemisfério sul.

Há 3000 anos a.C. a Constelação do Cruzeiro do Sul podia ser vislumbrada da região onde hoje se encontra Londres. No Século I da Era Comum o Cruzeiro do Sul foi derradeiramente admirado na cidade de Jerusalém, na Palestina.

Interessante notar que essas estrelas do Cruzeiro do Sul representam os seguintes estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Federativas brasileiras nas quais a Doutrina dos Espíritos, na Condição de Evangelho Redivivo, representa o coração do símbolo nacional, que em sua concepção se estende muito além do que os seus idealizadores puderam conceber, funcionando como legítimos intérpretes de intenções notadamente superiores. Quantos espíritos guardando gigantescos compromissos sociais têm renascidos nesses rincões?!

— Constelação de Escorpião: com Antares, Graffias, Wei, Sargas, ι Sco, Girtab, Shaula e µ Sco.

Incluindo-se as Constelações de Hidra, Oitante, Triangulo Austral e Virgem.

Mais do que se pode imaginar as conjunções cósmicas regem a vida na Esfera Terrena, a civilização os egípcios compreendiam-no perfeitamente bem... O Sacrossanto Símbolo do Calvário de Jesus Cristo, a cruz, o que nos pode parecer obra do mero acaso, estendeu-se no Cosmo Europeu há três milênios passados na estruturação das portentosas civilizações do Sistema do Cocheiro, nomeadamente da Alfa Capella. Posteriormente, através de espíritos egressos deste sistema fomentar-se-ia o progresso para as moles humanas... Em futuro algo mais distante conjugar-se-ia ao solo de Jerusalém exatamente no período da passagem do Cristo pela Terra, em sua grandiosa vida pública, alterando para sempre a ética e os valores espirituais primitivos e egoísticos, para atualmente plenificar os Céus do Brasil, a transmitir ao povo brasileiro — composto eminentemente de espíritos egressos de ancestrais peregrinações nas vias da aprendizagem e da evolução —, uma metafísica mensagem de Advertência e Amor.

O amor e a gratidão ao Torrão Pátrio estende-se muito além de suas estruturas político-partidárias; muitas vezes absurdas e temporárias. Julgar e condenar um país pelos seus líderes e representantes dissolutos, enquanto permanecemos de braços cruzados no campo das ações mais nobres é incoerência.... O Povo Brasileiro ainda respira ataviado ao clima de um passado mui recente; como súditos aguardando que todas as deliberações venham das ações e “penadas” de seus Monarcas. Democracia - do grego antigo δήμος (demos: povo) + κράτος (cratos: poder) = "Pode do Povo" - o que significa uma nova Divisa de Conduta, quase tão nova quanto a Doutrina Espírita nestes rincões e com a qual o Brasil, num todo, está aprendendo a lidar. A responsabilidade de construir uma pátria fraterna  e justa pertence a todos nós; posto que não somos mais vassalos amodorrados e impotentes, mas cidadãos atuantes com amplos poderes de atuar em e com a Sociedade em prol de dias melhores para todos.

Tal gratidão remanesce na clarividência espiritual profunda de que estamos, como povo, situados no melhor país que os Regentes da Vida Maior conceberam por bem nos ajustar, em prol de nossa evolução e crescimento para a Justiça Eterna.
  
"O saber é lento e difícil, a ignorância é pronta e fácil.” Thomas Carlyle

Helaine Coutinho Sabbadini
Muriaé, novembro de 2004

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