MEDIUNIDADE & SEXUALIDADE


         Buscando a realização dos sentidos primitivos, o homem tem peregrinado, em meio aos séculos, acumpliciando-se com as forças degenerativas do invisível, entregando-se, sem reservas, à vivência dos prazeres degradantes no campo da sexualidade sem peias.

Com as energias genésicas em completo desequilíbrio volve à pátria espiritual, concomitantemente, com a mente acometida por profundos distúrbios e intranquilidades.

Com a estrutura perispiritual sutil enormemente maculada, propõe-se ao reequilíbrio ante a própria consciência perturbada, solicitando aos Condutores espirituais um reinício no Educandário da vida física.

Entretanto, na maioria das vezes, imediatamente se observe agraciado pelo complacente ensejo divino, convidado ao exercício da mediunidade reparadora e instado aos acentuados esforços, percebe emergirem as tormentosas inquietações.

Se o candidato não se disponibiliza a investimentos mais acerados – ao hábito da oração, à vigilância salutar e ao estudo fecundo aliado ao trabalho no bem, continuamente, termina por sucumbir, não raras vezes, às forças inferiores. As mentes afins, identificando-lhe as vulnerabilidades urdem tramas formidáveis intentando apanhá-lo, em momento preciso, nas teias terríveis da obsessão.

A tarefa restauradora, no campo de ação mediúnica, tem sido sagrada ocasião de recomposição espiritual para inúmeras almas que naufragaram, vezes sem conta, na vivência dos apetites grosseiros dos instintos sexuais, em passados experimentos sobre a esfera terrena.

O momento vivido na estrutura planetária pressupõe prudência, observância dos valores superiores e jejum espiritual, tendo em vista a seleção natural que se opera, visando um mundo de almas recuperadas.

Avançam, obstinadas, as lideranças dos opositores contumazes da definitiva instauração da mensagem do Consolador e de sua edificação plena nos corações. Arrojam-se, perniciosos, sobre tantos quantos perseveram na senda reta, animosos nas propostas reabilitadoras da Boa Nova, intentando solapar-lhes as perspectivas superiores.

Quanta amargura temos testemunhado, do plano etéreo da vida, sorvida por trabalhadores animosos do Cristo nos círculos espíritas, após quedas espetaculares!

Chancelados por nova reencarnação, amparados por tutelares dedicados e felicitados por amplas possibilidades de reajustamento espiritual, através das lides disciplinares da mediunidade com Jesus, deixam-se vencer, desastradamente, por paixões dissolventes.

Infortunadamente têm sido inúmeros os fascinados e sucumbidos às tais situações! Incontáveis aqueles que passam a identificar em companheiros de serviço cristão as suas “almas gêmeas”, elos espirituais a guardarem as raízes afetivas no passado secular, e confessando-se cabalmente impossibilitados da devida resistência moral, ante o apelo atrativo, naufragam no desrespeito às próprias conjunturas matrimoniais e às de terceiros...

Partem, deste modo, para a realização de seus anseios emocionais e sexuais, assumindo graves compromissos ante as próprias consciências, concomitantemente, permitem entrar em prejuízo a tarefa adredemente programada. Perdendo o ensejo superior, volvem ao plano espiritual mais comprometidos do que quando mergulharam no corpo denso para a proposta redentora.

Alertam os espíritos superiores aos médiuns, positivos ou não, quanto às propostas degradantes do plano inferior, advindas das ideações de encarnados ou desencarnados – “... não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir”[1]. Tudo residindo nos terrenos íntimos dos maiores empenhos e nos severos investimentos, em prol da aquisição dos dons espirituais legítimos.

Incidem, inegavelmente, os pertinazes impugnadores desencarnados da Causa do Cristo sobre os médiuns produtivos, quanto sobre todos aqueles que se colocam como cooperadores fiéis!

As vias de acesso ao psiquismo dos lidadores encarnados, infelizmente, têm sido várias – o orgulho, a vaidade, o egoísmo...

No entanto, a sexualidade comprometida a balizar a postura de muitos indivíduos, que não se empenham devidamente por reabilitarem-se ante as Leis Divinas, construindo alicerces comportamentais renovados, inegavelmente, tem sido a porta larga para a entrada das mentes enfermas, colocando muito trabalho e trabalhador a perder. 


Yvonne do Amaral Pereira
Helaine Coutinho Sabbadini




[1]  Livro dos Espíritos, questão 845.

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