MEDIUNIDADE & DISCIPLINA


O decesso da indumentária física possibilitou-nos uma observação ampliada dos intrincados mecanismos da dinâmica da tarefa mediúnica, entre os dois campos da vida.

A partir de nosso plano de ação temos abrangido e anotado muitas coisas:
— Os candidatos à tarefa mediúnica, conclamados a cooperar junto aos lidadores espirituais do bem, com raríssimas exceções, albergam enormes dificuldades de se ajustarem às disciplinas comportamentais, que o desiderato sublime requisita;
— Apresenta-se a maioria dos médiuns, assim como diversos dirigentes e doutrinadores, para comporem as tão conhecidas reuniões chamadas de “Desobsessões” ou "Esclarecimento Doutrinário", trazendo grandes equívocos. 

Desconhecem, quase que por completo, que os referidos conclaves espirituais são, em verdade, ensejos de esclarecimento e orientação evangélico-doutrinário para os que se encontram em ambos os lados da vida: os intermediários, sustentadores e doutrinadores, no plano físico, e os nossos irmãos assolados pelas dores mais diversas ou sucumbidos em equívocos seculares, no plano espiritual.

Anotamos que inúmeros candidatos devidamente inscritos em tais ensaios semanais, em face de qualquer acontecimento insólito, de irrelevante importância, deliberam mui facilmente pela ausência ao compromisso assumido com os desencarnados.

Poucos empreendem acentuada diligência por atender, antes, ao sagrado dever, que primordial e unicamente a eles, vem favorecer.

A dedicação mediúnica é compromisso assumido, antecipadamente, com os espíritos superiores, devendo tal desiderato guardar austera prioridade nas disposições do medianeiro.

Sobrelevar o messianato com o Mestre Jesus, contraído nos amplos horizontes do sublime intercâmbio mediúnico, não tem sido iniciativa da maioria dos profitentes!

Os incansáveis servidores desencarnados se deslocam, ajustam tempo e adéquam compromissos, visando atender a um grupamento de servidores bem intencionados, oferendo-lhes elevado crédito de confiança, no entanto, em percebendo infrutíferos os seus esforços, afastam-se deixando os militantes – desacostumados às normas do compromisso espiritual – entregues aos espíritos vulgares, sempre disponíveis.

Por conseguinte, não é de se espantar, que um conjunto de pessoas reunidas em torno de uma mesa, em um grêmio espírita, numa determinada assembléia semanal, por anos consecutivos, jamais logre êxito em seus tentames de ascender a níveis maiores de relacionamento com os servidores do plano extrafísico.

Trafegam os irmãos através das décadas, amodorrados às desregradas tendências, perseguindo, primeiro, os próprios interesses, o que os espíritos denunciam ser o grande vício e escolho para qualquer exercício de elevação espiritual.

Faltando-lhes a devida retidão comportamental para atender às questões mediúnicas e espirituais, deixam de corresponder com assiduidade aos compromissos e, indissociavelmente, exoneram-se às disciplinas íntimas da emoção, do ideário e do verbo, por conseguinte.

Ajuízam, professam e experimentam o que não convém à sã doutrina, contrariando a elucidação paulina e, vivendo num lamentável descompasso moral-espiritual, furtam-se da salutar sintonia com o plano Maior, tão necessária aos medianeiros produtivos.

Médiuns displicentes e descompromissados ante o serviço, assomados de posturas frívolas e equivocadas, alienam-se, não raro, da abstração evangélico-doutrinária que os felicitaria com advertências e instruções preciosas.

Infelizmente diversos tem atravessado

a experiência reencarnatória atendendo, primeiro, aos seus próprios interesses, buscando tardiamente o plano superior. A genuflexão, o respeito e a prioridade absoluta unicamente advêm, depois de macerados pelas dores e enganos, amargurados pelas repetidas decepções.

Os espíritos, por conseguinte, não poucas vezes têm se utilizado de médiuns restritos e imperfeitos[1] que, nada obstante, deliberaram assumir o sério compromisso com o desiderato mediúnico espírita na terra.

Os tutelares invisíveis buscam, de variadas formas, anular-lhes as dificuldades de seareiros de boa vontade, consagrados ao dever, porquanto permanecem invariavelmente disponíveis.

Aqueloutros, que se mantêm constantemente apartados dos impositivos disciplinares do superior empenho, que o Alto lhes outorgou, a favor do próprio reajustamento ante as Leis Eternas, são relegados pelos espíritos sérios, muito embora dotados de vastas qualidade psíquicas.


 Yvonne do Amaral Pereira
Helaine Coutinho Sabbadini






[1]  Livro dos Médiuns – Cap. XX, item 230 “... a influência moral do médium atua e perturba, às vezes, a transmissão de nossos despachos de além-túmulo, porque somos obrigados a fazê-los passar por um meio que lhes é contrário. Entretanto, essa influência, amiúde, se anula, pela nossa energia e vontade, e nenhum ato perturbador se manifesta”.  

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