“Senhor, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço, manhã, após manhã, e a nossa salvação no tempo da angústia. Ao ruído do tumulto, fogem os povos; quando tu te ergues, as nações são dispersas.”

Livro de Isaías – 33:2 e 3

O Mestre Jesus nos inspire na marcha entre os prélios educativos e necessários!

Embalada por suave vibração a invadir-me o ser, tomo da pena e traço estas linhas com a tinta da emoção.

Perfilho que a Faina Espiritual com Jesus, genuinamente, inda é bênção indefinível, a oferecer ao jornadeiro de alma clareada pelo conhecimento espiritual, nos ensaios físicos, ensanchas singulares de reparar, crescer e construir.

Acerca de um centenário decorrido destes dias, no cronograma estabelecido para aferição de tempo nos pisos da Terra, encontrando-me desenlaçada do indumento físico, vi-me em paisagem encantadora, vaporosa e alumiada por branda claridade...

Divisei à distância um esplêndido painel, que se me assemelhou a uma colossal tela de um exímio pintor, visto ostentar coloridos esboços...

Quanto mais me aproximava, mais constatava, que a estupenda obra havia sido composta por caracteres vivíssimos, a moldarem com indizível magnificência a Bandeira do Brasil.

Num estado de completo deslumbramento passei a contemplá-la detidamente — como se me situasse num plano bastante elevado —, abrangendo que a tonalidade verde do lábaro era composta de milhares por copas de gigantescas árvores, justapostas, tremulando ao sopro de mansa viração...

O losango do pendão coloria-se de um amarelo rutilante, mesclado de filigranas solares, de indescritível beleza e fulgor... No ponto médio, uma lua prateada alvejava solitária...

Abismada, perguntei-me, entre murmúrios: quem teria composto tão estupenda obra artística?!

Imediatamente um timbre afetuoso repercutiu com enorme suavidade na acústica de meu coração:

— O Amor Divino o fez, com o contributo de uma confraria de almas dispostas ao decisivo auto-erguimento. Dentre ela, estivestes também vós, desde um tempo longínquo do passado! No entanto, o Artista Celeste é um eterno e fecundo elaborador de beleza, progresso e vida plena, sua creação está sempre em esplendida dinâmica! — e prosseguiu:

“O amor ao berço-pátrio, minha cara, não se traduz por apego às meras insígnias, brasões ou lábaros. O patriotismo tem sido erroneamente compreendido, porquanto, muito mais do que progênie e etnia, nacionalidade e preeminência política, deve repercutir num sincero reconhecimento ao Criador, solidificado na compreensão das linhas evolutivas do espírito...

“Cada individualidade se encontra numa especialíssima vivência circunstancial, a azada e melhor no mundo, cuidadosamente destacada pelo Excelso Governante do Orbe, de modo a operar o inexorável progresso.

“Devoção ao ninho-pátrio, aquele que cada ser recebe por dádiva celeste, quando matriculado para os cogentes tirocínios terrenos, deve expressar-se em infinda Dedicação, Fraternidade e Amor, excitando as reais posses sublimes, em prol do espírito imortal e em penhor dos co-irmãos!”

O discurso leniente e esclarecedor aquietou-me o espírito de tal maneira, que sentia o pulsar do coração jubiloso, ao mesmo tempo, que um particularíssimo alento celestial invadia-me, enquanto todo o ser imponderável permanecia em profunda estesia.

Ante os meus olhos assombrados de fantasma errante, delineou-se um ancião forjado em luz divinal, ostentando barbas fartas, e translúcidos olhos azuis... Amorosamente o Benfeitor tomou um pincel, submergiu-o num matiz de prata, jamais detectado por meus olhos na terra, e passando-o às minhas mãos convocou:

— Vamos, minha filha, formai as estrelas brasileiras, fazei refulgir em toda parte o Evangelho de Jesus! Em cada particular traço de vossa pena, inscrevei: Humildade, Amor, Tolerância e Fraternidade, para todos os seres, conforme recomendou-nos o Cristo!

Jamais olvidei este encontro singular, no plano indevassável da existência, de contínuo, ao recordá-lo, infundi-me n’alma um ânimo especial para o cumprimento dos impostergáveis deveres.

Nestas despretensiosas palavras de testemunho individual a ressalva do antigo profeta, Isaías, repercute fortemente em meu íntimo: “Quando Tu te ergues, Senhor, todas as nações são dispersas”, fazendo-me resgatar uma singela colocação que ostentei na carne, junto à amada família espiritual. Assevero de mim, para mim mesma: toda majestade pertence ao espírito e não aos postos e outorgas transitórios na Terra.

Enquanto preparo-me para um novo mergulho na reencarnação indispensável, na Escola Educativa da matéria, experimento ocasionalmente, desde o inesquecível evento, a mão nívea do Anjo Celeste conduzindo — de algum lugar —, as minhas sagradas disposições futuras, de modo a que eu jamais me descure dos competentes deveres, atendendo-lhe às sublimes recomendações.



Carlota de Verna

Helaine Coutinho Sabbadini
Muriaé, 15 de novembro de 2004
A 115 Anos da Proclamação da República Brasileira



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