Meus caros irmãos,


Ainda e sempre, amemo-nos uns aos outros, amemo-nos uns aos outros como Jesus nos ama!

Venho em visita fraterna a este grupo amigo, malgrado não aquilatar onde me inserir, na pauta dos atendimentos, sinceramente, eu o afirmo! Não sei se na classe dos espíritos mais necessitados ou dos famintos de luz, porque certamente na qualidade dos Espíritos Maiores, que podem agregar valores e orientações aos trabalhos, eu certamente não estou.

Lembro-me do lar, dos pássaros, dos corações que amei, de cada singular momento e digo que, embora, os grandes esforços que empreendi na vida física, a luta verdadeira ainda está por ser travada, a maior de todas as pelejas: a luta íntima pelo cabal conhecimento de mim mesmo. O primeiro passo é conhecer as minhas reais necessidades, por isto vim bater à esta porta, de forma a confessar minhas penúrias, minhas fragilidades, minha cerviz ainda altaneira...

O ‘amemo-no uns aos outros como Jesus nos ama’ ainda repercute em minha alma, mas, como baldo de amor, encontro-me oco, estranhamente oco... Lembrei-me dos amigos aqui presentes e, rápido, corri ao encontro, ao apelo do coração e fui recebido com braços amorosos, abertos.

Transpor as portas do desencarne, oh minha querida amiga Helaine, é munir-se de enorme coragem, porque não nos resta mais nada, senão a essência do que somos em espírito e verdade e, no meu caso, dada a minha altivez, o meu gênio, o meu espectro é apenas presença empobrecida, embora as laudas tão ricas na Literatura dos tempos de escritor e orador espírita.

O Recife viu-me desabrochar para a vida, em minha última existência, e muito rápido os meus folguedos de menino foram substituídos pelo afã juvenil e procurei localizar-me na sociedade produtiva, dada as minhas qualidades atléticas... Tão célere quanto a transição de minha infância para a juventude, vi-me, nela, logo encontrando o matrimônio e sendo presenteado pelo conhecimento da Doutrina Espírita, dela passei a me embebedar sobejamente.

Rápido degustava os livros, não somente os codificados por Allan Kardec, igualmente, outros gêneros, com ênfase para ‘Os Evangelhos’ em sua essência pura... Não tardaria e os sublimes reflexos do Cristo marcariam, de forma indelével, a minha alma e eu traria para a minha vida a suprema assertiva de Jesus, que se tornaria minha divisa de cristão: “amai-vos uns aos outros como eu vos amo”, ou como manavam de meus lábios com grande sinceridade e amor: “amemo-nos uns aos outros como Jesus nos ama”..... Somente eu sabia que repetia este mandamento Crístico, de modo que eu mesmo me impregnasse deste amor, do qual todos somos sedentos.

Célere as iniciativas e esforços no Movimento Espírita tomaram forma e para mim não foi difícil inserir-me nas frentes do trabalho redentor.

Nada obstante, declinou-se o tempo rapidamente, vertiginosamente...

Os tempos invernosos chegaram; o declínio da idade e da saúde, antes robusta e bem cuidada, temia silenciosamente pelo fim da árdua lida reencarnatória...

Até que, inadvertidamente, fui chamado... apavorei-me... apavorei-me até às lágrimas, não queria partir ainda... mas, ante as Leis Supremas necessitei curvar-me... Desta feita, amigos, aqui estou! Reconheço que não sou um réprobo, malgrado trazendo o espírito aturdido, ajusto-me ainda ao meu novo estado.

Amparado por mercê dos diminutos méritos fui autorizado pelos Dirigentes desta Instituição a utilizar-me de Helaine, cuja mediunidade conheço e a terna amizade compartilho. Tenho me acercado dela nos últimos meses aguardando o momento azado, de modo a dar minhas notícias, desabafar meu coração, enfim, expressar o meu testemunho “vivo”. Constatei que Helaine recebeu a notícia de minha partida através de mim mesmo, ao ver-me constantemente ao seu lado.

Meus irmãos, conforme confessava, se aqui não me encontro na condição de um réprobo, o faço à feição de um quase desorientado, pois tudo agora é claro, límpido, verdadeiro... Não logro mais esconder-me atrás do conhecimento farto, da oratória fluente e precisa, porque presentemente só possuo a minha consciência e a minha solidão, valiosos momentos de reflexão, depois de abandonar o corpo inútil, vencido, inerte... Só e imerso em mim mesmo, na devida avaliação de toda uma vida e de cada pequeno ato, assim vou me ajustando...

Orem por este amigo, orem por todos que, no lusco fusco da desencarnação, ainda surpreendem-se e enfrentam suas maiores lutas. De alguma forma tenho um pequeno saldo a meu favor e supliquei a Jesus Cristo o amparo... De alma agradecida, por esta ocasião singular, deixo o meu abraço caloroso, saudoso, aos amigos!

Deste companheiro, outrora falante e articulado, agora sorvendo lágrimas de reparação na indispensável avaliação interior, necessária a todos que jornadeiam na busca de servir com Jesus Cristo na bênção da reencarnação,


Adésio Alves Machado

Mensagem Psicofônica Recebida em Reunião mediúnica
Por Helaine Coutinho Sabbadini
No Grupo Espírita Cristão Leopoldo Machado
Porciúncula, RJ, em 28 de dezembro de 2009


Biografia de Adésio Alves Machado no Wikipédia:

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