MEDIUNIDADE E SEGURANÇA

Há quem acredite que o tempo na tarefa mediúnica e a constante atividade psíquica, aliados à bagagem intelectual rica de conhecimentos, garantam ao servidor espírita nos campos do intercâmbio mediúnico o devido respaldo, forrando-o das influenciações desequilibrantes.


Encontramos em O Livro dos Médiuns, capítulo XX, item 11º – “Da Influência Moral do Médium”, a seguinte elucidação – “Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho é o que necessitamos para que a palavra dos espíritos superiores nos chegue isenta de qualquer alteração”.


Quanto menos possibilidades o medianeiro facultar aos espíritos embusteiros, que constantemente intentam contaminar o ânimo dos lidadores no intercâmbio mediúnico afastando-os da senda do dever, um tanto melhor!


Afirmam os benévolos espíritos que os instantes em que se dão as abordagens das mentes delinquentes do invisível ou dos pseudo-sábios sobre o psiquismo do médium, são valiosos!... Entretanto, se estornados em prol do devido aprendizado!


Sem dúvida, poderão tornar-se meios para o crescimento espiritual do servidor da mediunidade, a fim de que ele busque o fortalecimento de suas convicções no bem, vivenciando-as, inteiramente a sós.


Inúmeros tarefeiros, no entanto, têm sucumbido ao erro, por exonerarem-se dos preciosos antídotos recomendados pelas hostes superiores – “o bem, a caridade e a humildade”, conforme claramente referendado no Livro dos Médiuns, cap. XX, item 227.


Quantos cooperadores da seara medianímica com Jesus, luarizados pelo conhecimento Espírita, presunçosamente fiam-se em suas próprias habilidades, afirmando, tão resolutos, quão seguros, que foram responsáveis por intermediar inumeráveis títulos mediúnicos, oferecidos com êxito à apreciação pública?! Asseguram-se da legitimidade daquilo que lograram filtrar das mentes desencarnadas!


Outros declaram determinados: “o tempo conferiu-me segurança, são décadas decorridas à frente do trabalho de intercâmbio psíquico, tenho vivenciado um sem número de experimentações junto aos mais diversos espíritos. Não há como duvidar, não há como se equivocar!”


Esquecem-se, entretanto, os irmãos incautos, objurgando dessa forma, que imediatamente incluem-se na referida classe dos Médiuns Presunçosos, tão bem descrita pelo preclaro Codificador, Allan Kardec.


Caros irmãos, na lides entre os dois planos da vida, a segurança mediúnica é construída dia a dia; experiência a experiência, esforço a esforço – num tentame que advém com o espírito do plano espiritual, antes mesmo de tomar o corpo denso, desdobrando-se por toda a experiência física e estendendo-se, além dela.


Patenteia-se a mediunidade, em suas inumeráveis nuanças, como valioso ensejo retificador que se desenvolve acorde às instabilidades, dificuldades, imperfeições e fragilidades morais da individualidade espiritual encarnada, por mais recônditas nos escaninhos da alma.


Tal individualidade, tal mediunidade!


Permanecemos, todos, em constante crescimento e aprendizado, consequentemente, a percepção psíquica dilata-se e estrutura-se, em novas bases, a cada dia!


Caminhar com o Mestre Jesus, na vivência pura de Seus preceitos é o que garantirá ao medianeiro espírita a segurança necessária para seguir laborando e forrando-se, um tanto mais, contra os embustes e escolhos na relação com as inteligências do mundo invisível.




Yvonne do Amaral Pereira*
Do Livro Cartilha Evangélica / Nathanael e Espíritos Diversos / Psicografia de Helaine Coutinho Sabbadini



*Yvonne Pereira nasceu a 24 de dezembro de 1900 no sul fluminense, tendo desencarnado no Rio de Janeiro a 09 de março de 1984, aos 83 anos. Possuidora de mediunidade estuante desde a infância. Espírito disciplinar e completamente devotado às lides mediúnicas e a vivencia cristã. Quando encarnada psicografou várias obras, dentre elas “Memórias de um Suicida” e “Ressurreição e Vida”.

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